Guia completo: saiba tudo sobre a prevenção contra o câncer de mama

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Entender como é feita a prevenção contra o câncer de mama é fundamental, tendo em vista que se trata de uma enfermidade que surge com a multiplicação de células anormais na região, constituindo um tumor. Além disso, ela se desenvolve rapidamente e é um dos tipos mais comum nas mulheres, surgindo vários casos no país e no mundo inteiro todos os anos.

Pensando nisso, elaboramos este post para explicar os principais pontos sobre a saúde da mulher e o câncer de mama, como os fatores de risco, sintomas, tratamento e o que pode ser feito para evitar o seu acometimento. Continue sua leitura!

O que é o câncer de mama

O câncer de mama é um tumor maligno que cresce como uma consequência de mudanças genéticas em algum grupo de células mamárias, que passa a se disseminar de maneira descontrolada. Acomete diversas mulheres todo ano, podendo se manifestar também em homens.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), 1,2 milhão de novos casos devem ocorrer no Brasil entre o ano de 2018 e 2019 e, por esse motivo, a prevenção se tornou uma preocupação para evitar o aumento da ocorrência da doença.

Tipos de câncer de mama

Os tipos de câncer de mama dependem de diversos fatores, como a presença ou não de receptores hormonais, tamanho do tumor, entre outros. Conheça os mais comuns a seguir.

Carcinoma ducta in situ

É um dos tipos não invasivo mais comuns da doença. Ele atinge os ductos da mama, que correspondem ao canal que conduz o leite, mas não afeta outros tecidos e nem a corrente sanguínea. A membrana que envolve o tumor também não se rompe, fazendo com que as células cancerosas fiquem reunidas dentro do nódulo, podendo existir diversos focos do tumor na mesma mama.

É determinado pela manifestação de um ou mais receptores hormonais nas células, podendo se transformar em um tipo invasivo.

Carcinoma ductal invasivo

Atinge também os ductos da mama, no entanto, pode afetar os tecidos que os rodeiam. É um tipo que retrata a maior parte dos cânceres de mama invasivos. Pode se expandir no local ou se disseminar para demais órgãos por intermédio de veias e vasos linfáticos. Tem a presença de um ou mais receptores hormonais na superfície celular.

Carcinoma lobular in situ

É gerado nas células dos lobos mamários e não tem a capacidade de invadir os tecidos próximos. Normalmente é multifocal, e representa entre 2% a 6% da ocorrência de câncer de mama.

Carcinoma lobular invasivo

Surge comumente nos lobos mamários, afetando outros tecidos e crescendo no local ou, até mesmo, se espalhar. Normalmente, tem receptores de progesterona e estrógeno na superfície celular, e raramente a proteína HER-2.

Carcinoma inflamatório

Em casos raros, ele apresenta receptores hormonais e é um tipo mais agressivo do câncer de mama. Se manifesta como uma inflamação na mama e, na maioria das vezes, tem uma expansão maior. A possibilidade de ele se disseminar por outras partes do corpo e gerar metástase é alta.

Doença de Paget

É uma forma de câncer de mama que atinge a aréola ou mamilos, podendo se manifestar nos dois ao mesmo tempo. É um tipo mais raro, que se caracteriza por alterações na pele do mamilo, como inflamações, crosta, entre outros, podendo ser assintomático.

Pode se originar devido ao crescimento das células tumorais nos ductos mamários e se expandir em direção à epiderme do mamilo ou crescer na porção terminal dos ductos, na união com a epiderme.

Estágio do câncer de mama

O câncer de mama é dividido em quatro estágios, numerados de 0 a 4, que vão ser definidos de acordo com a extensão do tumor e demais fatores. Entenda melhor sobre eles.

Estágios 0, 1 e 2

Trata-se do estágio inicial do câncer de mama, quando o tumor ainda está restrito à mama. Nesse estágio, os pacientes têm maior possibilidade de cura, desde que o diagnóstico aconteça de forma breve e que a resposta ao tratamento seja satisfatória.

Estágio 3

No estágio 3 o câncer de mama é conhecido como localmente avançado, tendo em vista que a doença já se disseminou para os nódulos linfáticos ou para demais tecidos da mama, mas não para outras regiões do corpo.

Estágio 4

Nesse estágio, o câncer de mama é visto como metastático ou avançado, já que no caso o câncer já se espalhou para outros lugares o corpo, por exemplo, ossos, fígado, cérebro, pulmões e demais tecidos.

Como é realizado o diagnóstico do câncer de mama

Qualquer sintoma ou nódulo encontrado que possa se tornar suspeito nas mamas, precisa ser avaliado para confirmar se é câncer ou não. Para isso, além do exame clínico, outros testes de imagem podem ser solicitados, como mamografia, ressonância magnética, ultrassonografia etc.

No entanto, a confirmação do diagnóstico só é feita com a biópsia, que é uma medida em que é realizada a extração de um fragmento da lesão ou nódulo suspeito por meio de punções ou de uma pequena cirurgia. Então, o material é retirado e estudado pelo patologista para a realização de um diagnóstico preciso.

A identificação rápida da doença é uma forma de prevenção contra o câncer de mama secundária e tem como finalidade detectar o tumor em seu estágio inicial e, assim, zelar pela qualidade, bem-estar e garantia de uma assistência eficaz em toda as fases que compõem o tratamento.

Ou seja, o diagnóstico prévio é uma prática que permite a aplicação de terapias mais simples e eficientes, ao colaborar para a diminuição do estágio de apresentação da doença. Dessa forma, é necessário que todas as pessoas e profissionais de saúde compreendam os sinais e sintomas de alerta do câncer de mama, já que grande parte deles podem detectar o tumor assim que surgem.

Fatores de risco para o câncer de mama

Entender os fatores de risco da doença é fundamental para que possa realizar a prevenção e encaminhamento adequado para prevenir a sua ocorrência. Por isso, separamos os principais para que você conheça.

Idade

As mulheres com idade entre 40 e 69 anos normalmente são as maiores vítimas. Isso ocorre devido à exposição ao hormônio estrógeno que atinge o auge nessa faixa etária. A partir dos 50 anos, os riscos são inseridos em uma curva ascendente.

Histórico genético e hereditário

  • casos de câncer de mama na família, em especial antes dos 50 anos de idade;
  • histórico familiar de câncer de ovário;
  • mutação genética, principalmente nos genes BRCA1 e BRCA2.

Fatores reprodutivos e hormonais

  • não ter tido filhos;
  • primeira menstruação antes dos 1 anos;
  • parar de menstruar depois dos 55 anos;
  • primeira gravidez após os 30 anos;
  • ter realizado reposição hormonal pós-menopausa;
  • utilização de contraceptivos hormonais.

Fatores comportamentais e ambientais

  • sedentarismo e falta de atividade física;
  • obesidade e sobrepeso depois da menopausa;
  • exposição frequente a radiações ionizantes;
  • consumo de bebida alcoólica;
  • tabagismo etc.

Se enquadrar em alguns dos fatores quer dizer que a pessoa tem um risco maior de desenvolver o câncer de mama, contudo, isso não significa que a mulher necessariamente terá a doença.

Principais sinais e sintomas

Por meio do surgimento dos primeiros sinais e sintomas já é possível identificar o câncer de mama e aumentar as chances de cura. Por isso, é essencial que você conheça quais são eles:

  • presença de nódulo ou caroço, que pode ser dolorido ou não;
  • edema;
  • retração;
  • alteração na coloração ou forma da auréola;
  • inversão do mamilo;
  • descamação;
  • inchaço ou alteração no tamanho da mama;
  • coceira;
  • linfonodos palpáveis na axila;
  • secreção, que pode ser transparente, rosada ou avermelhada devido a presença dos glóbulos vermelhos.

Ao identificar qualquer um desses sintomas, eles precisam ser investigados imediatamente.

Como funciona o tratamento do câncer de mama

Existem vários tratamentos disponíveis para o câncer de mama, que podem ser feitos de forma combinadas ou não. O câncer precisa ser extraído por meio de uma cirurgia, na qual se retira parte da mama ou ela toda, porém, em algumas situações, a cirurgia pode ser complementada com outros tratamentos.

O que vai definir qual é o tratamento adequado é a presença ou ausência de receptores hormonais, o estágio em que o tumor se encontra, se apresenta metástase, entre outros. Também é considerado o estado clínico da paciente, idade, extensão e os impactos e interferências provocadas na qualidade de vida da pessoa portadora da doença.

Os tratamentos podem ser divididos entre locais e sistêmicos. A seguir, vamos falar melhor sobre cada um deles.

Locais

O tratamento local de câncer de mama pode ser feito por meio de cirurgia parcial ou total e radioterapia.

Cirurgia

E uma forma de tratamento mais antiga. Quando a doença se encontra em estágio inicial, a extração é mais simples e com um comprometimento menor da mama.

Radioterapia

Tratamento que utiliza a radiação ionizante na região do tumor. É muito comum quando eles ainda não se disseminaram e não provocaram metástases. Portanto, não é preciso retirar toda ou grande parte da mama.

Também pode ser usada nas situações em que se pretende reduzir o risco do tumor voltar a crescer. Normalmente sua duração é de um mês.

Sistêmicos

O tratamento sistêmico acontece por meio da combinação de medicamentos que serão administrados por via oral ou diretamente na corrente sanguínea. Nos dois casos, o tratamento não é realizado de maneira local, ou seja, o medicamento será levado para todo o organismo, principalmente onde o tumor se encontra. Veja quais são esses tratamentos.

Hormonioterapia

Esse tipo de tratamento tem como finalidade evitar a ação dos hormônios que fazer com que as células cancerígenas se desenvolvam. Por esse motivo, só poderá ser administrada em pessoas que apresentam pelo menos um receptor hormonal no tumor.

Normalmente é uma terapia feita via oral, e os medicamentos atuam bloqueando ou suprimindo os efeitos do hormônio sobre a região atingida.

Quimioterapia

Na quimioterapia são usados medicamentos orais ou intravenosos, com o objetivo de destruir, controlar ou impedir o desenvolvimento das células doentes. Ela pode ser realizada antes ou depois da cirurgia, e o tempo de tratamento dependerá dos aspectos e condições do câncer de mama.

Imunoterapia

Conhecido como terapia anti HER-2, é um tratamento composto de droga que bloqueiam os alvos determinados de algumas proteínas ou mecanismos de divisão celular que são encontrados somente ou preferencialmente nas células tumorais.

Normalmente, os medicamentos são aplicados via oral. Por exemplo, quando o tumor exprime a proteína HER-2 em grande volume, são usadas drogas que vão eliminar essas células especificamente. Existem também outras proteínas ou processos celulares que podem se evidenciar no câncer e estimular seu crescimento, e os medicamentos usados na terapia alvo vão atuar nessas questões específicas.

Em alguns casos em que o tumor tenha uma extensão grande, pode ocorrer do médico prescrever uma terapia sistema inicial, para minimizar o tamanho do câncer de mama e, então, realizar a cirurgia parcial.

Caso o câncer apresente metástase, a terapia sistêmica também pode ser recomendada, tendo em vista que as drogas atuam no corpo inteiro, identificando focos do tumor e os destruindo.

A definição do tratamento vai ser influenciada pelas chances de cura da doença e a tolerância à toxicidade do tratamento, considerando que muitas pessoas não podem ficar expostas a terapias muitas severas no decorrer de um longo período. Os pacientes que tiveram metástase deverão ser submetidos a algum tratamento sistêmico por toda a vida, sendo necessário também do acompanhamento médico periódico.

É essencial que todas as alternativas de tratamento sejam definidas entre o médico e paciente, além da análise dos seus eventuais efeitos colaterais. Isso vai contribuir para a decisão que mais se adéque às necessidades e condições de cada paciente.

Como fazer a prevenção contra o câncer de mama

Na maioria dos casos, o câncer de mama pode ser diagnosticado em sua fase inicial, até mesmo antes de algum sintoma se manifestar. Isso corre pelo fato de exames como a mamografia, que usa a radiação para criar imagens dentro da mama, poder detectar a presença de tumores com amanhos ainda bem pequenos.

Uma parte considerável das mulheres descobrem o tumor sozinhas, por intermédio do autoexame, que significa apalpar a região e os locais adjacentes à procura de algum nódulo.

Contudo, esse tipo de exame só é usado como diagnóstico quando o câncer já se encontra em um estágio mais avançado. Por exemplo, as mamografias conseguem encontrar tumores com menos de 1 centímetro, enquanto o autoexame só consegue identificar os nódulos acima de 2 centímetros, reduzindo as possibilidades de cura.

Então, é importante deixar claro que o autoexame não exclui a necessidade de fazer a mamografia, já que é um dos principais exames capazes de identificar alterações de forma precoce.

Autoexame

Apesar de a mamografia ser um método muito eficiente para detectar o câncer de mama, o autoexame também é primordial, principalmente para quem não tem acesso à mamografia.

Para garantir sua eficácia, o autoexame deve ser realizado 1 vez ao mês, em torno de 3 a 5 dias depois do primeiro dia da menstruação, tendo em vista que nessa época a mama está menos dolorida e inchada, simplificando a identificação de qualquer alteração. No caso das mulheres que não menstruam mais, o autoexame pode ser feito em um dia fixo todo mês.

Para isso, é preciso estar sem blusa e sem sutiã, para evitar qualquer tipo de interferência, em frente ao espelho ou sentada, procurando a existência de alterações na pele ou bico do seio, caroços, saliências ou secreções na mama.

Para realizar o exame corretamente, você pode seguir o passo a passo abaixo.

Avaliação na frente do espelho

  • deixe os braços relaxados e caídos e observe bem os seios;
  • erga os braços e observe novamente;
  • coloque as mãos na cintura, faça pressão e avalie mais uma vez.

Essa forma de observação serve para identificar se existem alterações visualmente perceptíveis, por exemplo, forma, tamanho, dor, inchaços na mama, além de rugosidades e depressões na pele.

Palpação das mamas

  • levante o braço esquerdo e posicione a mão atrás da cabeça;
  • com a mão direita, apalpe com cuidado a mama esquerda, realizando movimentos circulares;
  • aperte o mamilo com suavidade;
  • repita o procedimento na mama direita.

A palpação precisa ser feita com os dedos das mãos esticados e juntos, em toda a mama, indo para a direção das axilas. Após, o ideal é pressionar o mamilo para averiguar se não existe a presença de nenhuma secreção.

Caso identifica algo diferente, averígue se não há a mesma coisa na outra mama, já que alguns seios podem ter algumas texturas que se confundem e, na maioria das vezes, se estiver nas duas mamas, provavelmente não existe motivo para preocupação.

Campanha Outubro Rosa

O Outubro Rosa se trata de uma campanha mundial feita todo ano no mês de outubro que tem como finalidade a conscientização das mulheres em relação à prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama, elevando as possibilidades de cura e diminuindo as taxas de mortalidade. A representação da campanha é realizada por um laço cor-de-rosa.

No decorrer do mês de outubro, várias instituições, tanto públicas quanto privadas, oferecem exames gratuitos ou com preços mais acessíveis, com o objetivo de motivar e engajar as mulheres a realizá-los e cuidar de qualquer problema identificado de forma prévia — considerando que nos estágios iniciais, a doença é assintomática e responde bem melhor aos tratamentos.

A recomendação do Ministério da Saúde é que o exame de mamografia de rastreamento, que é quando não existem sinais e sintomas da doença, seja feito em mulheres entre 50 e 69 anos, ou antes dessa idade no caso da presença de histórico familiar de câncer de mama ou recomendação médica.

A campanha se espalha por muitos lugares e é possível encontrar cursos, assistência médica, orientação sobre a doença e diversas outras atividades.

Prática de atividades físicas

A prática de atividade física reduz em torno de 1/3 dos riscos de desenvolver câncer de mama. Por esse motivo, inclua na sua rotina pelo menos 30 minutos de exercícios, em torno de três vezes na semana, ou conforme as suas necessidades.

O recomendável é que você busque por auxílio de um profissional da área para ser orientado sobre as melhores atividades para você e receber o acompanhamento adequado.

Alimentação balanceada

Uma alimentação equilibrada evita o sobrepeso e proporciona uma melhor qualidade de vida. Evite os alimentos enlatados, industrializados e com conservantes, já que eles têm agentes cancerígenos em sua composição — carnes defumadas, processadas, embutidos, entre outros.

Dê preferência aos legumes, frutas e verduras, pois são alimentos ricos em vitaminas, fibras e sais minerais, além de serem compostos de substâncias antioxidantes que previnem contra grande parte dos tipos de câncer.

Não consumir álcool

O consumo de álcool também é um dos fatores de risco para o desenvolvimento de vários tipos de tumores, inclusive o de mama. Além do tumor, o consumo de álcool está associado a inúmeras outras doenças, como hepáticas e cardiovasculares.

Diminui a frequência de seu consumo pode minimizar as chances de ter a doença, mas o mais adequado é não beber ou evitar ao máximo a ingestão desse tipo de bebida.

Não fumar

O cigarro é formado por diversas substâncias tóxicas, que podem provocar uma série de doenças. Milhões de pessoas morrem todos os anos em consequência do cigarro, e cerca de 30% dos casos de câncer estão relacionados ao uso do tabaco.

Com base nesses dados é essencial evitar o uso do cigarro e se proteger da fumaça provocada por ele. Essa atitude é uma decisão muito importante para o bem-estar de um fumante e de quem convive com ele.

Evite o estresse

Pessoas que têm um dia a dia muito agitado e estressante têm chances muito maiores de desenvolver o câncer de mama, principalmente quando há a união com outros fatores de risco. Para minimizar esse problema, várias técnicas podem ser usadas, como meditação, respiração e ioga, que ajudam a controlar a ansiedade e estresse.

Conseguiu compreender como é feita a prevenção contra o câncer de mama? Com boas práticas é possível diminuir as chances do seu desenvolvimento ou identificar precocemente a sua existência, aumentando as possibilidades de cura. Então, inclua agora mesmo em sua rotina um acompanhamento médico periódico e hábitos saudáveis, já que são atitudes fundamentais para garantir uma melhor qualidade de vida.

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